terça-feira, 6 de novembro de 2012

Olfato Canino

Os Sentidos dos Cães - O Olfato
Sabemos que a relação cada vez mais próxima entre o homem e o cão desperta a curiosidade sobre semelhanças e diferenças entre o dono e seu melhor amigo.
Embora os cães sejam muitas vezes tratados como filhos, é importante que o veterinário esclareça aos proprietários sobre as diferenças que precisam ser respeitadas para garantir bem-estar aos animais.
Essas diferenç
as começam desde a forma de percepção do meio traduzido através dos sentidos, os quais iremos abordar nesta e nas 4 próximas matérias que serão publicadas nesta seção.
Sabe-se que três ou quatro minutos após o nascimento, com os olhos e os ouvidos ainda fechados, os filhotes de cães conseguem, pelo faro, encontrar as tetas da mãe sem que ninguém lhes tenha ensinado. Pela seqüência, os ouvidos, abrem-se após alguns dias e o cachorro começa a se familiarizar com os sons ambientes. Aos dez para doze dias abrem-se os olhos.
Os mamíferos em geral dispõem de cinco órgãos dos sentidos: tato, olfato, paladar, audição e visão. Eles são utilizados para caçar, perceber a presença do inimigo, procurar alimentos, encontrar a fêmea para o acasalamento, proteção, etc.

Assim, a forma com que os cães se comportam depende da maneira como eles percebem o mundo, e para isso, utilizam os sentidos.
E apesar de apresentarem os mesmos sentidos que os humanos, esta percepção é diferente entre homens e cães, variando, inclusive a ordem de importância destes cinco sentidos.
O olfato é o sentido mais importante nos cães, exercendo função primordial para estes animais. Os cães utilizam muito mais o sentido do olfato do que os humanos.
O olfato para os cães é tão importante, que três ou quatro minutos após o nascimento, com os olhos e os ouvidos ainda fechados, estes filhotes conseguem, através do faro, encontrar as tetas da mãe.
Assim, o olfato auxilia no contato entre mãe e filho, na identificação de situações de perigo e no reconhecimento de fêmeas no cio, sendo fundamental para a reprodução. Além disso, auxilia na busca, no reconhecimento e no exame dos alimentos, sendo que, através do órgão de Jacobson, o olfato pode ser utilizado em combinação com o paladar para determinar o sabor dos alimentos na boca.
O sistema olfativo consiste em narinas pares (orifícios externos), narinas internas (coanas), câmaras ou cavidades nasais, células receptoras, nervos olfativos e os bulbos olfativos do cérebro.
Há diferenças muito grandes, entre as espécies, quanto às dimensões das estruturas olfativas e quanto à capacidade de detectar odores. O cão é citado como capaz de detectar mais odores com várias ordens de magnitude inferiores em concentração do que os que são detectados pelos seres humanos.
Nos movimentos respiratórios normais apenas uma parte do ar chega à mucosa olfativa. Um comportamento fundamental no contexto olfativo consiste na interrupção deste padrão respiratório regular e numa inspiração profunda seguida de uma aspiração. Este comportamento é denominado farejamento.
Devido ao farejamento, grande parte das substâncias olfativas chega próximo à mucosa olfativa, de modo que aumenta a capacidade de percepção dos odores. O ar, inspirado profundamente, permanece aprisionado nas cavidades nasais, ao contrário do inspirado através da respiração normal, que é conduzido para os pulmões. O aprisionamento das moléculas do odor ocorre através de uma câmara formada por uma estrutura óssea presente no focinho dos cães. Em contrapartida, quando a respiração não se processa, ocorre uma percepção mais reduzida, que se processa através da difusão.
As células olfativas encontram-se situadas na área sensorial, denominada mucosa olfativa. No homem, esta mucosa é relativamente pequena, cerca de 5cm², já no cão ela é muito grande, aproximadamente 150cm², alcançando uma extensa área devido ao grande número de pregas e invaginações. A mucosa olfativa é coberta por uma camada de muco, secretado pelas glândulas de Bowman, dentro do qual as moléculas transportadas pelo ar, que criam a sensação de odor, penetram e ficam concentradas de maneira que, mesmo quando as concentrações iniciais são pequenas, o valor limiar é alcançado e o odor é detectado.
No epitélio olfativo estão presentes aproximadamente, 24 tipos diferentes de células olfativas, assim, existe a probabilidade de percepção de cerca de um milhão de odores. Cada célula olfativa possui entre 100 e 150 cílios, que são protuberâncias na membrana da célula, responsáveis por captar essas moléculas que causam o odor e transmitir esta informação para a célula.
Assim, os receptores estão, em sua maior parte, localizados nos cílios das células olfativas. Os humanos possuem cerca de 5 milhões de receptores olfativos, já o cão possui cerca de 220 milhões. Nos cães estes cílios são mais longos e em maior número do que em muitas outras espécies, aumentando a sensibilidade ou capacidade discriminatória de seu sentido do olfato. Cada célula receptora é um neurônio que transmite as informações olfativas para o bulbo olfativo, que é a parte do cérebro responsável pela interpretação dos odores.
A sensibilidade aos odores é fortemente influenciada pela genética. Isso significa que há variações entre as diversas raças. A raça Bloodhound é considerada a de melhor olfato, seguida do Pastor Alemão. Ambas as raças possuem mais de 200 milhões de células olfativas.
A acuidade olfativa é variável de acordo com a raça do animal. Ela depende da superfície da mucosa olfativa, do número de receptores, assim como a anatomia facial que determina a direção da corrente aérea.
O encurtamento do crânio dos animais braquicefálicos cria um obstáculo à circulação do ar. Da mesma forma, a sensibilidade olfativa está correlacionada com a pigmentação da mucosa olfativa, sendo que, quanto mais escura, melhor a acuidade olfativa.
A fêmea é mais sensível aos odores que o macho. Esta sensibilidade varia de acordo com o ciclo sexual, sendo maior durante o estro.
No animal que envelhece, o olfato é o primeiro sentido a declinar devido à atrofia das mucosas nasais e à degradação do tecido nervoso.
Os cães ainda possuem narinas móveis que facilitam a capacidade de percepção dos odores.
Os odores exercem uma forte influência na fisiologia e no comportamento dos cães. As memórias dos cheiros podem durar uma vida.
Assim como o cérebro humano é estruturado para aprender línguas, grande parte do cérebro do cão é voltado para a interpretação de odores.
Pelo olfato os cães conseguem detectar um conjunto muito grande de animais de sua espécie, através dos odores liberados junto da urina e fezes de outros animais. As fezes, por sua vez, trazem muito mais informações e num nível maior de detalhes que a urina, explicitando o seu status dentro de sua matilha e seu nível de segurança. E quanto maior a quantidade de marcas deixadas por um cão, mais poderosa é a sua posição na sociedade canina. Assim, cães tímidos e medrosos costumam colocar “o rabo entre as pernas” como forma de esconder informações detalhadas sobre seu papel dentro da matilha.